quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS EM TEMPOS DE PANDEMIA

 TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS EM TEMPOS DE PANDEMIA

PAICHECO, Cleonice[1]

RU: 3355772

LAUFER, Albertina[2]

 

RESUMO

 

Esta pesquisa, de cunho bibliográfico e qualitativo, é baseada em livros e artigos com intuito de descrever sobre o emprego da tecnologia com a finalidade educacional em tempos de pandemia, na manutenção dos processos de ensino aprendizagem. Os artigos escolhidos com a preocupação em abordar o processo de ensino-aprendizagem com os preceitos de Vygotsky, à legislação e normatização da educação intermediada pela tecnologia como o Decreto 9.057 de 2017 e a Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Abordou o contexto pandêmico da COVID-19 que levou ao ensino remoto mediado por recursos digitais e tecnológicos. Descreve o papel do educador observando as dificuldades psíquicas, socioeconômicas, sociais, mais pontuais e a importância da função ativa dos pais no acompanhamento da criança devido a distância proximal; Questões do ensino a distância como ter internet, utilização de aparelhos tecnológicos, o impacto destes recursos no futuro educacional como provocador de mudanças nas habilidades da nova geração e dos professores para acompanhar a época, desta forma, cita as tecnologias educacionais mais utilizadas pelos professores, ou seja, as novas formas de ensinar online em caráter emergencial com interação tecnológica, social e lúdica, também já idealizadas nos currículos escolares como uma das maneiras de contribuir na aprendizagem da criança.

 

Palavras-chave: Educação. Pandemia. Recursos Digitais. Ensino Remoto.

 

1 INTRODUÇÃO

 

Em março, no ano de 2020, as atividades educacionais foram encerradas no modelo presencial devido à crise pandêmica da COVID-19. Desta forma, professores tiveram que aprender a lecionar remotamente em home office e os alunos a estudar com os pais, responsáveis e por meio dos recursos digitais disponibilizados pelos educadores, utilizados equipamentos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).

Diante deste cenário, houve um avanço nas formas de educar online nas escolas públicas e privadas, os profissionais da educação precisaram além de desenvolver novas habilidades, descobrir métodos de aplicação para atingir os resultados propostos.

Desta forma, esta pesquisa teve como objetivo geral descrever sobre o emprego da Tecnologia com a finalidade educacional, em tempos de pandemia na manutenção dos processos de ensino-aprendizagem.

Por meio, dos objetivos específicos: - Explanar o contexto pandêmico e efeitos na educação; - Apontar à legislação a possibilidade de educação a distância; - Descrever conceitos chaves para o processo de ensino-aprendizagem conforme a abordagem de Vygotsky, do papel do professor em sala e conteúdo curricular de ensino obrigatório; - Analisar criticamente quais foram os principais recursos digitais e tecnológicos que auxiliam o ensino remoto; - Refletir se os recursos estavam disponíveis a todos os alunos e se o método online foi suficiente para cumprir o papel do professor.

A metodologia de pesquisa escolhida foi bibliográfica, de cunho qualitativo por meio da leitura de livros e artigos científicos que possibilitaram o alcance dos objetivos definidos, com recorte de 17 de Março de 2020 a 03 de Novembro de 2021.

Durante o desenvolvimento desta pesquisa, foi abordado sobre o retorno das atividades educacionais foi gradual, em meados de 2020, por meio de bloco de atividades, vídeos educativos, e posteriormente online a distância por cobranças governamentais e dos pais de alunos.

Frente às demandas do ensino remoto, visaram a continuidade do processo de ensino-aprendizagem equiparado ao ambiente tradicional, sendo a tecnologia a principal mediadora do encontro entre docentes e discentes, também para comunicação da escola com todos. Pensa-se ainda na participação ativa dos alunos, pais e responsáveis, na criatividade dos professores que foi essencial para a efetivação dessa modalidade de ensino.

Os elementos indispensáveis para despertar atenção do aluno são a interatividade, ludicidade e diversidade nos meios de estudar, foram relatados por artigos científicos pesquisados, o uso de recursos como: Vídeos, áudios, textos, desenhos, jogos digitais, chats por aplicativos de celular, videoaulas gravadas e compartilhadas em redes sociais, videoconferências para grupos de alunos (socialização interativa), links, documentos como apostilas eletrônicas e/ou arquivos organizados por professores, impressos pela escola e entregues aos alunos em dias e horários agendados, mapas conceituais, indicação de filme.

Os recursos tecnológicos foram definidos para o benefício da ação pedagógica visando a aprendizagem e desenvolvimento de conhecimento e saberes, frente ao que a criança possui capacidade de aprender sozinha e outros que possam precisar da orientação de um adulto para conhecer o potencial dos alunos, podendo o educador identificar as dificuldades a serem trabalhadas em outras aulas e exercícios, ou encaminhando para especialistas em comportamento, caso haja alguma anormalidade.

Portanto, a interação social entre professores e alunos, crianças-criança, crianças-responsáveis foi um ponto marcante na motivação da criança para estudar nesta modalidade de ensino.

A importância desta pesquisa justifica-se, pois, mesmo com o retorno presencial, a tendência para a próxima década é a manutenção do modelo de ensino híbrido, houve uma visibilidade da tecnologia enquanto potencializador da educação, portanto, está pesquisa possui relevância. Apenas em novembro de 2021 houve o retorno presencial das aulas em Minas Gerais, entretanto, ainda altamente atrelada às tecnologias educacionais.

Portanto, durante esta pesquisa percebe-se também, a importância da auto atualização da carreira dos profissionais da educação pautado na necessidade de dominar os recursos tecnológicos, visto sua integração na sociedade moderna e impossibilidade de pensar em educar, sem considerar a importância das Tecnologias da informação e comunicação.

 

 

2. PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM REMOTO

 

O mundo encontra-se enfrentando uma crise pandêmica de COVID-19, doença respiratória transmissível que pode não apresentar sintomas em alguns casos, outros sintomáticos sem agravamentos ou até de forma grave com risco real de morte, descoberto em 31 de dezembro de 2019 na China. Dentre as medidas de proteção, está o distanciamento das pessoas, uso de máscaras, lavar as mãos com mais frequência e isolamento social (BRASIL, 2021).

Essa crise sanitária e social, diferente de todas as outras que o mundo já viveu não se origina por motivo econômico e financeiro, mas influenciou a paralisação do mercado de trabalho em quase todas as atividades.

Em decorrência disso, no Brasil, as atividades escolares presenciais foram encerradas temporariamente desde março de 2020. Diante disso, situações causadas pela COVID-19 levaram muitas pessoas à condição de reflexão para encontrar uma solução para a educação da pandemia. Nasce, então, um grande desafio aos profissionais pedagógicos, “face à multiplicidade de demandas, os professores precisaram, com rapidez e criatividade, encontrar alternativas para o prosseguimento do trabalho iniciado” (ALMEIDA, 2014, p. 5).

Foi um marco histórico para a educação ser guiada pela tecnologia no ensino remoto, forma encontrada para dar prosseguimento em nosso país, desde este momento, tem-se buscado adaptar o ensino a realidade imposta (MIRANDA et al, 2020).

A tecnologia tem sido um grande aliado promovendo uma reorganização em vários setores, levando a uma crescente evolução, sendo que o principal agente é o ser humano e não a máquina. Na educação, a utilização das tecnologias no processo educativo proporciona novos ambientes de ensinar e aprender diferentes dos ambientes tradicionais, e as reais contribuições das tecnologias para a educação surge à medida que são utilizadas como mediadoras para a construção do conhecimento (SOUSA, 2019).

Diante disso, podemos dizer que hoje no século XXI vivemos na era da tecnologia, em que todas as áreas da sociedade se beneficiam dos meios tecnológicos existentes, que surgem para melhorar as atividades e necessidades de cada uma dessas áreas. Na área da educação não poderia ser diferente. Hoje, as tecnologias contribuem para um melhor processo de ensino-aprendizagem, proporcionando novas formas de ensinar e aprender (GARCIA, 2013).

Os profissionais da educação possuíam muitas resistências com relação ao uso de tecnologias, medo de serem substituídos e queixa sobre a qualidade do ensino intermediada por estes recursos. Gatti (1993, p. 14) escreveu:

 

A incorporação das inovações tecnológicas só tem sentido se contribuir para a melhoria da qualidade de ensino. A simples presença de novas tecnologias na escola não é por si só, garantia de maior qualidade na educação, pois a aparente modernidade pode mascarar um ensino tradicional baseado na recepção e na memorização de informações.

 

O método tradicional de ensino é questionado a décadas, novas formas de educar já foram construídas, mas ainda cabe ao profissional de educação a metodologia adotada em sala. O método tradicional é considerado mecanizado, dizem os professores com má formação de conceitos, confundem os alunos, ensinam a memorizar, que os alunos possuem uma falsa sensação de aprendizado, pois, não aprendem a compreender as informações passadas em aula (SOUSA, 2005).

 Quanto a utilização do recurso tecnológico foi uma medida compulsória em caráter emergencial, não foi uma escolha da escola, nem dos profissionais, as resistências tiveram que ser vencidas. Visto que o ensino remoto foi incorporado por meio do reconhecimento do Conselho Nacional de Educação – CNE, e do Ministério da Educação – MEC (MIRANDA et al, 2020).

O principal objetivo do processo de ensino-aprendizagem por meio da tecnologia é formar alunos mais ativos, de modo que o docente e a tecnologia se tornem mediadores desse processo, devendo estar unificados para que a aprendizagem se torne eficaz. Ainda, o ensino remoto faz-se cada vez mais presente, possui tendência de crescimento para as próximas décadas visto que quando superado a crise da saúde, já estará incorporado à cultura (SOUSA, 2019).

Conforme, o Decreto 9.057 de 2017 que considera-se educação a distância como:

Modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorra com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com pessoal qualificado, com políticas de acesso, com acompanhamento e avaliações compatíveis, entre outros, e desenvolva atividades educativas por estudantes e profissionais da educação que estejam em lugares e tempos diversos (BRASIL, 2017).

 

 

O ensino remoto a distância foi implementado, com respeito a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que orienta nos anos iniciais do ensino fundamental os componentes tematizam práticas relativas às culturas tradicionais e contemporâneas, o direito de aprendizagem e desenvolvimento, o processo de alfabetização, domínio da leitura e escrita, construção de conhecimentos, autonomia e protagonismo na vida social (BRASIL, 2018).

Nos anos finais do ensino fundamental ampliam-se as práticas de linguagem conquistadas nos anos iniciais, incluindo a aprendizagem de língua inglesa, prática artística, corporais e linguísticas, aprofundamento da reflexão crítica, analítica, compreensão dos modos de expressar e participar do mundo no campo de experiências e relações interpessoais.

Já no Ensino Médio implica as especialidades e saberes, na consolidação e aprofundamentos dos conhecimentos adquiridos, para o desenvolvimento de competências pessoal e social, no aprimoramento do educando como pessoa humana, na compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, contextualização, intervenção na realidade, organização de habilidades para o exercício profissional, protagonismo juvenil e projetos de vida.

A BNCC é um documento de caráter normativo em consonância com o Plano Nacional de Educação (PNE) que define e orienta o conjunto de competências para que as aprendizagens essenciais sejam desenvolvidas na Educação Básica (BRASIL, 2018). Dentre as dez competências gerais, de forma sintetizada:

Práticas de valorização sócio-histórico-social: Envolve a valorização dos conhecimentos sócio-histórico construídos no ambiente físico, social e digital para construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva; De valorização, aproveitamento e participação de manifestações artísticas e culturais – locais e mundiais; Em consonância na valorização da diversidade de saberes e vivências culturais, conhecimentos, experiências com objetivo de auxiliar a escolha profissional e exercício da cidadania, respeito e promoção dos direitos humanos, consciência socioambiental, consumo responsável.

Consciência sócio-emocional: A valorização e respeito a diversidade como citado acima, acrescido de posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros, do planeta, da saúde, das próprias emoções e dos outros, autocrítica – capacidade de lidar com elas. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos, cooperação, respeito aos outros e aos direitos humanos, indivíduos, grupos sociais, saberes, identidades, culturas e potencialidades sem preconceitos de qualquer natureza. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, flexibilidade, resiliência e determinação, tomar decisões baseadas na ética, democracia, sustentabilidade e solidariedade.

Contexto do uso da apropriação e uso da linguagem de forma crítica: No exercício intelectual, crítico, multidisciplinar e investigativo, desenvolvimento da imaginação e criatividade na formulação de hipóteses e resolução de problemas, inclusive a possibilidade de recorrer a soluções tecnológicas; Na utilização das diferentes formas de linguagem, inclusive digital para partilhar informações, conhecimentos, ideias, experiências, sentimentos em diferentes contextos na produção de sentidos que possam auxiliar o processo de entendimento mútuo; Orienta a compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas práticas sociais e escolares, visando a comunicação, disseminação de informações, produção de conhecimentos, resolução de problemas, exercício de protagonismo pessoal e coletivo; Argumentar com base em fatos, dados, informações confiáveis, na formulação de ideias, negociação e defesa do ponto de vista.

Em ambos, a linguagem e a comunicação social perpassam, associado a globalização no aprendizado e compreensão da diversidade cultural promovendo mudanças sociais significativas na sociedade contemporânea.

Bacich e Moran (2017) salientam que o pressuposto da educação é explorar as potencialidades que esse espaço oferece para que a aprendizagem seja interativa e significativa, precisam se relacionar com o conhecimento já existente na estrutura cognitiva do estudante.

 

É importante ressaltar que esta modalidade de educação pode ser vivenciada ou exercitada tanto para potencializar situações de aprendizagem mediadas por encontros presenciais, quanto a distância, caso os sujeitos do processo não possam ou não queiram se encontrar face a face; ou ainda, híbridos, onde os encontros presenciais podem ser combinados com encontros mediados por tecnologias telemáticas (SANTOS E COLABORADORES apud SILVA et al, 2020, pág.147).

 

Sá e Silva (2013) salientam que o modelo de aula interativa online requer a interatividade como prioridade, comunicação dos objetivos e proposições claros, interface com espaço bem organizado e definido, atividades e conteúdos em hipertexto e hipermídia, desenvolvimento de habilidades digitais, adaptação das atividades e do conteúdo como a possibilidade de podcast, vídeos gravados, chats… O ideal é que se faça enquete de quem possui os artefatos técnicos.

A Oxford Languages (2021) maior editora mundial de dicionários da Google exemplifica o que é hipertexto como: Recurso visual (palavra, expressão, desenho ou imagem) que por meio de um monitor de vídeo, ao ser clicado com o mouse exiba um novo recurso visual. Quando o conteúdo a ser acessado é um link que abre outros documentos, textos, imagens estáticas ou em movimento, sons ou software podemos chamar de hipermídia. Portanto, hipertexto e hipermídia são registros e exibição de informações informatizadas que podem tornar o ensino mais interativo.

Miranda et al, (2020) destacam que os recursos tecnológicos e metodologias utilizados em 2020 as mais utilizadas foram as que possibilitam aulas por videoconferências, aulas expositivas online disponibilizadas no YouTube, quadro virtual, produção de videoaulas compartilhadas em grupos de WhatsApp, Facebook, Instagram por meio de aparelhos celulares e notebook, também há relatos de professores que enviaram apostilas eletrônicas no Google Classroom, Google Meets, Zoom, Microsoft Teams, dentre outras. Algumas atividades foram entregues impressas aos alunos e repassadas para os discentes que não possuem acesso aos recursos tecnológicos.

Dentre as metodologias, houve o destaque para ferramentas de aprendizagem: Mapas conceituais, indicação de filmes, videoaulas e materiais impressos com conteúdos claros, de fácil compreensão, contextualizados que incentivam a reflexão acerca de temas geradores, desenvolvidos através de atividades que estimulam os educandos a ter uma participação ativa.

Conforme Moreira (2010), mapas conceituais são diagramas que indicam a relação da representação do conceito com a palavra, na externalização dos significados atribuídos, geralmente inclui setas, mas não implicam na necessidade de uma sequência, hierarquia, temporalidade ou direcionalidade, mas pode haver modelos que recorre a um deles de forma inclusiva para a demanda à qual foi criada.

O autor salienta que é possível utilizar este recurso de aprendizagem para uma única aula, unidade de estudo, curso e até mesmo para um programa educacional completo, na análise de documentos científicos, currículos, livros, poemas e ensaios, dar uma visão geral do tema em estudo, ainda como forma de avaliar o ensino, a organização do conhecimento para novas descobertas.

Portanto, não podem ser confundidas com organogramas ou diagramas de fluxo, nem com mapas mentais que são livres e sem preocupação com as relações entre conceitos, tão pouco com quadros sinóticos que são diagramas classificatórios.

O uso de imagens estimula as crianças a serem dinâmicas, lúdicas e são atrativas, gostam de letras e ícones que representam signos que elas precisam descobrir, são desafiadas e dessa forma, aprimoram as suas referências midiáticas. Como métodos de ensino, a escola pode intermediar o contato com as novas tecnologias também por meio de jogos de memória, quebra-cabeça, jogos de estratégias como de encaixe, filmes educativos e pinturas (GARCIA, 2013).

Os recursos digitais e a socialização interativa permeada pela tecnologia foram os meios de manter as atividades educacionais, com a participação essencial da família de modo presencial e dos profissionais trabalhando remotamente. Possibilitando o método de ensino e aprendizagem com ambos envolvidos, devem estimular a criança a se desenvolver o tempo todo e ajudam enfrentar e superar barreiras (BACICH e MORAN, 2017).

Ensinar por meio do lúdico facilita a promoção do processo de ensino e aprendizagem e superação de barreiras, além de melhorar a interação social criança-criança, criança-adulto daqueles que convivem (AGUIAR e PONDÉ, 2019).

Os autores ainda salientam que recorrer ao lúdico na interação social com os profissionais e entre as crianças, pode promover a mudança de comportamentos relacionados às atividades da vida diária. Desta forma, as crianças serão psicoeducadas, pois, facilita a promoção do processo de ensino e aprendizagem.

Lemos (2016) aponta a importância dos jogos digitais como auxílio como apoio para o processo de ensino aprendizagem, pontuando o fazer pedagógico de maneira lúdica, atrativa e prazerosa, portanto pode beneficiar a ação pedagógica.

Portanto, a ação pedagógica possui como principal foco a aprendizagem e seu papel fundamental para o desenvolvimento infantil do conhecimento e dos saberes, considerando que todo processo de aprendizagem é também processo de ensino, ou seja, ensino-aprendizagem (VYGOTSKY, 1989).

Sendo especificada esta conexão, através da zona de desenvolvimento proximal - distância entre os níveis de desenvolvimento potencial em atividades que consegue realizar sozinha, e nível de desenvolvimento real que precisa do auxílio de outros sujeitos ativos e participativos no processo educacional, através da imitação, fornecimento de pistas, entre outros métodos.

As crianças podem imitar diferentes ações e muitas vão além dos limites de suas próprias capacidades. Quando estão em uma atividade orientada por um adulto utilizando de imitação, elas são capazes de realizar variadas tarefas. Este ponto “é de fundamental importância na medida em que demanda uma alteração radical de toda doutrina que trata da relação entre aprendizado e desenvolvimento na criança” (VYGOTSKY, 2007, p. 101).

Para Vygotsky (1989) o aprendizado é considerado um processo puramente externo que não está envolvido ativamente no desenvolvimento. Ele simplesmente se utilizaria dos avanços do desenvolvimento em vez de fornecer um impulso para modificar seu curso. O desenvolvimento das crianças nunca acompanha o aprendizado escolar da mesma maneira como uma sombra acompanha o objeto que o projeta.

A aprendizagem ocorre por meio da ação, exploração, na busca e conquista em adquirir o conhecimento (SOUSA, 2019). Neste processo, o educador desempenha um papel importante na identificação da dificuldade. Aquela criança que não adquire conhecimento como os colegas deve ser identificada e acompanhada de perto. Após alguns meses de trabalho dentro da sala de aula sem um progresso na aprendizagem, o aluno merece uma atenção especial. Os autores destacam que é na rotina da escola que as dificuldades e queixas comuns na infância são identificadas como agressividade, hiperatividade e desatenção que refletem no desempenho escolar, que sofre influência também do nível socioeconômico, precisa de ambiente saudável e supridas as necessidades básicas (SOUSA et al, 2005)

A concepção que o professor tem acerca do que seja dificuldade de aprendizagem está relacionada a três fatores considerados mais evidentes: O ritmo de cada criança em desempenhar as tarefas determinadas por ele; Está relacionado também à atuação da família que não participa da educação dos filhos, que não ajuda na resolução das tarefas de casa; e ainda, está relacionada às deficiências culturais da criança, causadas pela classe social de origem, pela necessidade dos pais em trabalhar, ou ainda, por pertencerem a famílias fora da estrutura padrão. A autora questiona que o professor nunca atribui as dificuldades de aprendizagem da criança como suas responsabilidades, são apenas elementos externos a esse processo (CARVALHO, 2010)

O desenvolvimento da linguagem e do grafismo auxilia muito a identificar as dificuldades educacionais do aluno, mas, muitas vezes, antes de iniciar no contexto escolar, com a observação da família a criança pode ser diagnosticada (SOUSA et al, 2005).

É muito importante que a família e os profissionais envolvidos no método de ensino e aprendizagem precisam estimular a criança a se desenvolver o tempo todo (BACICH e MORAN, 2017).

Quando a família desiste da criança, os profissionais de educação conseguem fazer um bom trabalho sem ela, a maioria das dificuldades também pode ter motivo relacionado a fatores psicológicos, desta forma, encaminhar tem gerado excelentes resultados (CARVALHO, 2010).

Sousa et al (2005, p. 13), Apesar de estar utilizando apenas como metáfora, em seu trabalho escreve uma frase que cabe bem ao contexto da educação remota: “Cuidado! Esta criança que não clica pode ter uma dificuldade mais importante, necessita de atendimento e avaliação especializada”.

Desta forma, Garcia (2013) salienta que o profissional de educação precisa estar familiarizado com as ferramentas tecnológicas, para não serem meros executores de tarefas ou serem espectadores passivos da evolução, precisam recorrer à tecnologia como ferramenta de auxílio, assim como o quadro-negro e o giz foi no passado. Portanto, devem ser participativos e buscarem aperfeiçoamento constante, adquiram novos hábitos, conhecimentos, formas de ensinar, armazenar e transmitir o saber, dando origem a novas formas de simbolização e representação do conhecimento, motivar os alunos a estudar e aprender com prazer.

Sousa (2019) acredita que o professor deixa este lugar de transmissor de saberes e torna-se desafiador, formulador de problemas, provocador, coordenador de equipe de trabalho, sistematizador de experiências, valorizando a colaboração e a participação do aluno e dos seus responsáveis.

Neste mesmo contexto, Miranda e colaboradores (2020, p. 09) também destacam a necessidade de participação dos pais ou responsáveis no incentivo aos estudos e ligados diretamente às atividades. Devido às características ímpares da situação, ocorreram dificuldades dos alunos como:

 

A falta de compromisso, desmotivação, demora nas devolutivas das atividades, ausência de acompanhamento dos pais e organização dos horários de estudos, além da dificuldade de acesso à internet. Ainda de acordo com os professores essas dificuldades poderiam ser superadas ou amenizadas mediante ao investimento maciço em ferramentas tecnológicas que possibilitem o acesso à internet para todos os estudantes, como também uma maior atuação da família e das redes de ensino, assim como, uma maior preparação dos professores para que possam utilizar melhor os recursos tecnológicos, aumentando as suas possibilidades de integração junto à tecnologia.

 

            Sobrinho Júnior e Moraes (2021) salientam que o aluno pode ficar desmotivado se as aulas não estiverem bem planejadas, se o relacionamento com o professor não for bom! Além disso, as matérias devem ser adequadas ao novo cenário, visto que se for aplicado o mesmo conteúdo tradicional pode ficar maçante; Desta forma, as aulas devem ser lúdicas, divertidas, atraente, trazer uma aura de magia, pois, com celulares ou computadores podem distrair com blogs, vlogs, jogos eletrônicos não educativos. Ao mesmo tempo em que se for muito divertida pode ser desvalorizada sua finalidade, cabe ao professor essa mediação do aluno com o mundo da informação.

            Ainda, o profissional de educação como possuidor de habilidades e competências que são os instrumentos de trabalho, precisa estar sempre em busca do novo, estar atualizado, visar à formação continuada, ter uma didática diferenciada indo de encontro ao que está acontecendo ao seu redor para não ficar obsoleto (SOUSA, 2019).

Quanto ao acesso de alunos aos equipamentos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), conforme dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgado pela Agência Brasil e Empresa Brasil de Comunicação (2021), o aparelho celular constitui como a principal forma de acessar a internet para o contexto de ensino remoto e o seu uso entre estudantes foi crescente ao longo dos anos, assim como da televisão com a mesma finalidade, enquanto do computador tem reduzido, apenas 13,4% recorrem ao tablet (a maioria da rede privada).

O percentual de estudantes acima de dez anos de idade com acesso à internet subiu, mas não podemos negar as discrepâncias entre os alunos de rede pública onde 83,7% possuem internet, televisão e celular próprio ou emprestado, e os de rede privada em que 98,4% possuem. Ainda, devemos considerar as diferenças regionais, no Norte e Nordeste onde os alunos da rede pública tiveram mais dificuldades, devido ao alto custo do aparelho celular.

Com o passar do tempo haverá mais aliados à internet, a popularização dos computadores e das linguagens de programação, desenvolvimento de softwares educativos, desta forma, as escolas precisaram desenvolver uma proposta pedagógica consistente e bem estruturada onde os computadores possam ser aliados para os alunos, visando o ensino com qualidade (SOUSA, 2019).

As novas gerações, “todas as crianças” já sabem manusear e compreender programas e aplicativos usados nos computadores, televisão e vídeos, nascem autodidatas, nem precisam ler os manuais, conseguem absorver com facilidade o acesso à internet e a introdução de novas tecnologias, não demonstram medos e preconceitos.

Garcia (2013) acredita que este cenário deve-se, pois, ao longo das últimas décadas, ao desenvolvimento de competências cognitivas e culturais determinadas para o pleno desenvolvimento humano e passa a se ajustar ao que se espera no âmbito da produção.

A “facilidade” no acesso à internet, à multiplicidade de ofertas midiáticas e digitais impõe desafios à formação das novas gerações:

 

Em decorrência do avanço e da multiplicação das tecnologias de informação e comunicação e do crescente acesso a elas pela maior disponibilidade de computadores, telefones celulares, tablets e afins, os estudantes estão dinamicamente inseridos nessa cultura, não somente como consumidores. Os jovens têm se engajado cada vez mais como protagonistas da cultura digital, envolvendo-se diretamente em novas formas de interação multimidiática e multimodal e de atuação social em rede, que se realizam de modo cada vez mais ágil. Por sua vez, essa cultura também apresenta forte apelo emocional e induz ao imediatismo de respostas e à efemeridade das informações, privilegiando análises superficiais e o uso de imagens e formas de expressão mais sintética, diferente dos modos de dizer e argumentar característicos da vida escolar (BRASIL, 2018, p. 61).

 

Contudo, é fundamental a compreensão da escola, a necessidade de repensar a prática educacional frente às novas linguagens e modos de funcionamento, mais dinâmico, ágil e fluido. Para que não haja prejuízo no ensino-aprendizagem, é preciso prezar pelo uso consciente, crítico e democrático das tecnologias, sendo, impossível pensar em uma educação científica contemporânea renegando a forte influência que a tecnologia exerce no desenvolvimento da sociedade humana e sua multiplicidade de papéis, presente nas escolas, escritórios, bolsos, cozinhas, veículos, roupas, memórias digitais, dentre outros (BRASIL, 2018).

Ao redigir a BNCC em 2018, já havia a preocupação com os impactos dessa transformação na sociedade, da visão que a tecnologia estará presente e evoluindo, provocando rupturas com o tradicional com frequência, desta forma, os profissionais da educação precisam estar alinhados a evolução tecnológica para os processos de ensino e aprendizagem, preparar os alunos para profissões que ainda não existem, para usar tecnologias que ainda não foram inventadas e para resolver problemas que ainda não conhecemos.

Sousa (2019) percebeu sobre a evolução no campo profissional - novas funções e mudanças nos métodos e técnicas de trabalho, onde os prazos são cada vez menores outras atividades sobrepondo como urgências, da mesma forma, na educação houve inovação da prática pedagógica, apesar de ainda ter muito a desenvolver.

 

 

2.1 METODOLOGIA

 

A metodologia de pesquisa empregada foi de cunho bibliográfico com base em informações bibliográficas, revistas impressas ou eletrônicas acessíveis através da internet e livros físicos adquiridos (SEVERINO, 2013).

O conteúdo escolhido foi devido à preocupação em abordar o ensino e aprendizagem, considerando a observação ativa dos professores com o aluno, a necessidade de aproximação para identificação das dificuldades em consonância com o ensino a distância e “substituição” do professor, por um responsável da criança, ainda, refletindo sobre o acesso à internet, equipamentos tecnológicos e motivação para que ocorra o aprendizado em tempos de pandemia.

Desta forma, não houve a intenção de mensurar dados ou informações, portanto, a abordagem pode ser definida como qualitativa. Godoy (1995) salienta que neste tipo de abordagem, enquanto exercício de pesquisa, não faz-se necessário uma proposta rigidamente estruturada, permite a imaginação e criatividade na investigação de novos enfoques por meio da análise de conteúdos.

A temática aborda um marco histórico e cronológico específico, o período em que as tecnologias educacionais eram a principal forma de educar no país, devido às medidas restritivas de distanciamento social, que ocorreu:

     Do dia 17 março de 2020, data da Portaria do Ministério da Educação nº 343 que dispõe sobre a substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do Novo Coronavírus - COVID-19 (BRASIL, 2021).

     Conforme o Jornal digital Tribuna de Minas Gerais (2021) Até 03 de Novembro de 2021, quando houve o retorno presencial obrigatório nas redes públicas e privadas, encerra a exigência de distanciamento entre os estudantes nos ambientes da escola.

 

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Estamos diante de uma mudança social onde houve forçadamente o rompimento com o ensino tradicional que já estava sendo questionado, inclusive há décadas. Assim, as lacunas foram preenchidas pelo uso da Tecnologia da Informação e Comunicação, criando novas linguagens que se importam mais com o tempo de resposta do que com a qualidade e exatidão.

Desta forma, uma nova geração será constituída e ainda é cedo para criar hipóteses sobre os benefícios e malefícios, mas no ensino remoto, com essa pesquisa, pode-se concluir que identificar as dificuldades da criança se não houver rotina, socialização interativa e espaço para relacionamento interpessoal pode ser uma tarefa difícil. Muitas vezes, os pais podem não ter critérios para análise comparativa, conhecimento sobre o desenvolvimento infantil ou simplesmente negar que o filho possa ter dificuldade, acaba sendo observado por um profissional da educação na prática pedagógica, portanto, online esse momento de interação deve existir constantemente, em grupo e se possível individual (demandaria mais profissionais na área).

Difícil falar da qualidade da prática pedagógica do ensino remoto, pois foi utilizado com improviso, em caráter emergencial, os alunos não estão sendo avaliados em nível de desempenho, presença e finalização das atividades. Portanto, desde que esteja online nas aulas ou entregando o bloco de exercícios, foram aprovados, até porque o aluno não pode ser mais prejudicado pela crise pandêmica, período em que perdeu o ambiente escolar, os amigos e a rotina do ensino presencial, ainda, pode haver casos em que perderam também o alimento, carinho e atenção quando o núcleo escolar é o único que oferece para a história desta criança.

Se essa realidade de ensino remoto se mantiver será necessário que projetos sociais, empresas, profissionais do setor de tecnologia e informação possam facilitar o acesso às crianças a aparelhos tecnológicos doados, consertados, mesmo que sejam pouco antigos, mas que conectem e atendam às necessidades de ensino, comunicação e pesquisa. Também que os alunos treinem habilidades como autodisciplina e concentração para manter o foco no momento de aprender, ainda da disposição de algum adulto auxiliando o processo em domicílio, sejam um dos responsáveis, ambos ou professor particular.

Quanto às resistências dos profissionais, levanta-se a hipótese que durante este período deve ter sido reduzida, visto que não foram substituídos e o trabalho remoto evita, além da exposição a vetores de doenças, gastos como deslocamento, contato com pessoas quando possuem alguma dificuldade em estar na regência, inclusive, possibilitando aqueles que possuem restrições médicas a retornar às práticas de ensino por meio digital.

Portanto, percebe-se que muitas pesquisas foram e estão sendo criadas, pois a mudança e o impacto que vivenciamos cheio de incertezas e com a necessidade de desenvolver novas habilidades constantemente visando a manutenção das práticas de ensino-aprendizagem.

 

 

REFERÊNCIAS

 

AGÊNCIA BRASIL. Acesso de estudantes à internet aumenta para 88,1% em 2019, diz IBGE. Rio de Janeiro. 2021 Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2021-04/acesso-de-estudantes-internet-aumenta-para-881-em-2019-diz-ibge Data de acesso 16 Out de 2021

 

AGUIAR, Márcia Cristina Maciel. PONDÉ, Milena Pereira. Práticas de cuidado com filhos com Transtorno do Espectro Autista. 09 Junho de 2019. Part of the International Journal of Psychiatry. Bahia <Acesso em: 04 de Set de 2021

 

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[1] Graduada em Psicologia, Pós-graduada em Gestão em Saúde Pública, Psicóloga do Trabalho CRP-MG 04/45940. Acadêmica do curso de Formação Pedagógica em Letras, no Centro Universitário Internacional UNINTER. Artigo apresentado como requisito para a conclusão de curso.

[2] Professora Orientadora no Centro Universitário Internacional UNINTER. Mestre em Teologia, Pós-graduada em Psicologia Analítica e Counseling. Graduada em Pedagogia, Teologia e Letras. Psicóloga Clínica CRP-PR 08/29582. Pós-graduanda do curso de Produção e Revisão Textual na FAE Business School – Curitiba (PR).

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