O que é a Arte: Nunca ninguém conseguiu definir tecnicamente numa
só expressão, o que é uma obra de arte. As obras perderiam o mistério e
deixariam de inquietar o espirito humano.
As obras de arte são todos os
objetos que provocam em nos algo de novo, de total, de magico: uma muito
delicada sensação, ou um horror tremendo, ou paixão, ou vontade de tocar, ou
repudio completo, ou então identidade, ou ternura, ou compaixão, ou que apetece
contemplar até o ultimo dia, ou que apetece questionar até que fale... É tudo
isso e muito mais. É a essência da realidade. Pode ser bela ou feia,
apropriada, funcional ou disfuncional, mas tem que ser motivadora de estímulos,
tem que comunicar, apesar de não ter de o fazer em exclusividade, é uma
explosão do intelecto feita para e pelos homens, é alegoria e símbolo, é sedução, forma, função e conteúdo, é estática ou
dinâmica, é instrumento ou fim...
AS FORMAS E OS SUJEITOS: O nosso relacionamento com o real – do
qual fazemos integrante enquanto seres mundanos, naturais e corpóreos –
estabelece-se partindo das experiências sensitivas. Nesta conjuntura,
determina-se que as formas, com as quais possuímos uma relação promissora, são
captadas pelos sentidos humanos e comprometidas depois com o raciocínio. A um
estimulo segue-se, mais cedo ou mais tarde, uma resposta. A arte não se basta à
contemplação da relações formais que ela mesma adianta, mas serve-se delas para
estabelecer outras metas: o conteúdo.
Não há conteúdo sem forma, mas também não pode haver forma sem conteúdo. A
forma existe para dar corpo ao conteúdo e a arte é, também por isso, diferente
da simples configuração. Quando
o artista utiliza formas que nos são familiares, acabamos por não nos fixarmos
imediatamente nelas e captamo-las apenas depois de nos demorarmos na
observação. A boa forma é também a forma adequada à nossa compreensão. Trata-se
da adequação do significante ao
significado.
No cumprimento do nosso objetivo
primordial, que é estudar a Psicologia da Arte, temos de compreender, em
primeiro lugar, qual é a nossa relação psicológica com a realidade, com os
ícones, com as formas ou com as configurações e, num sentido mais lato,
com a Arte, carregada embora com atributos de subjetividade e simbolismo que
complexificam as estruturas de entendimento.
A relação estabelecida entre a Psicologia e as formas passa por três
áreas fundamentais do saber: A
psicologia da motivação, a psicologia social e a psicologia da percepção
visual. Como já foi visto, coexistimos com um mundo de formas que provocam
em nós sensações, que nos motivam, que nos aclaram a mundividência, que nos
ilustram a realidade. Por outro lado, também nós somos motivados a produzir
outras imagens. Porque é que isso acontece? Que mecanismo há no Homem que o
leva à criação? O que é a imaginação humana, a criatividade?
·
Os psicólogos
da motivação interrogam-se sobre o modo como os artistas criaram a obra, o porque?
·
Os psicólogos
sociais, no impacto das obras.
·
Os estudiosos da percepção, com o fenômeno genérico da visão, da informação e
enformação, da relação entre o olhar e o espírito, com os problemas ligados à expressividade, à emoção, à aparência
formal das obras e com as possibilidades
de leitura dentro deste contexto delimitado, entre outros parâmetros.
A psicologia da percepção é uma metodologia interpretativa de
analise e atua, grosso modo, como um inventario descritivo, cingindo-se ao que
a obra de arte demonstra ao sentido da visão. O modo como lidamos com as
figurações depende do nosso sistema de perceber,
de sentir, de aprender e do grau de motivação empregue neste processo. São processos psicológicos fundamentais:
perceber, sentir, aprender e a motivação, eles são interligados.
·
A
sensação é o processo de sentir ao nível da consciência, experiência
advinda dos sentidos – que toma lugar quando um estimulo excita um receptor. A
psicologia sensorial estuda a capacidade do organismo para detectar fenómenos e
de os distinguir. Sensibilidade é a capacidade de reação a um determinado
estimulo. A psicologia sensorial examina todos os sentidos humanos, desde a
visão, a audição, o olfato, o tacto e a degustação, ate a estimulação
provocada pela dor, pela temperatura e equilíbrio.
A sensação aliada à psicologia da visão:
Visão: Disposição orgânica que implica um olhar. Só se vê aquilo
que se olha, aquilo que possuímos no nosso campo
de visão. Muitos teóricos e filósofos da arte respeitam os olhos como o órgão
que lidava mais perto com o cérebro. Ver
é uma capacidade de orientação pratica. Ver significa captar algumas
características proeminentes dos objetos, ex: caricatura capta o essencial da
expressão e desenha com traços largos.
·
A luz:
os indivíduos veem com o cérebro e não com os olhos. Não há visão (ocular) na
ausência de luz. A luz é um conjunto de vibrações eletromagnéticas,
perceptíveis pela retina e que permitem distinguir as formas, cores, texturas
dos objetos. A retina contem células (receptoras) conhecidas como bastonetes – mais sensíveis à luz e
permitem-nos ver sob uma luz ténue e cones
– menos sensíveis à luz, funcionam quando a luz é mais intensa. A visibilidade, tal como a acuidade visual – ou a capacidade de
distinguir pormenores – dependem da parte da retina que se estimulou, do ângulo
de incidência luminosa, bem como da capacidade de adaptação à escuridão e ainda
da distancia do olho relativamente ao alvo.
·
A Cor: A
capacidade de visão das cores,
depende dos cones da retina. As cores produzem estados de alma específicos,
alteram o nosso comportamento e transportam-nos de uma realidade para outra que
se compõe ou decompõe. Os sentidos orgânicos descriminam estas conjunturas e
esse serviço prestado pelos sentidos é fundamental para a sobrevivência,
interligando-se com a experiência passada e, consequentemente, com a memoria
dos sujeitos.
A percepção é, de uma maneira muito geral e sucinta, um modo como organizamos formas complexas de
estimulação. A percepção é mero instrumento para o registro da cor, da forma,
som, ec. Desde que seja considerada separadamente do organismo de que faz
parte: são a forma, a cor, o tamanho, a densidade, a luz, etc. No seu contexto biológico adequado, a
percepção surge como o meio com que o organismo retira informação sobre as
forcas ambientais favoráveis, hostil, ou de outra relevância às quais ele tem
de reagir.
Conceito perceptual ou perceptivo: relaciona-se com uma ideia que
se estima ter sido formulada partindo de qualquer coisa. Não se trata de uma
atividade impulsiva, mas consciente e que lega um resíduo intelectual nos
sujeitos. Um conceito perceptual não é a realidade e é aplicável a um sem
numero de situações, por ser geral, categórico e abstrato.
Categorias perceptuais: são categorias evocadas pela estrutura,
ilustra a teorização quando vemos um rosto humano, produzimos antes de tudo uma
matriz de qualidades gerais tais
como a magreza do conjunto, a rigidez da sobrancelhas, e etc. As categorias perceptuais
podem ser descritas como gerais e abstratas, porque não são limitadas a nenhum
objeto, mas são reveladas e aplicadas em qualquer objeto que nelas encaixe. Ou
seja, a forma, a cor, a textura, o peso, a proporção, o tamanho, a densidade,
etc., são categorias absolutas.
Já o mais próximo que o percepto
pode chegar, a partir do estimulo <<maça>> é representa-la através
de uma matriz especifica de qualidades sensoriais gerais com a redondez, o
sabor frutado, o ser verde, o ser pesado, etc... Neste sentido, os processos elementares da percepção,
longe de serem macro registo passivo, são atos criativos de domínio de estruturas, ainda além de um mero agrupar e
selecionar de partes. O que sucede na percepção é semelhante ao que sucede
a um nível psicológico mais alto na chamada compreensão ou perspicácia. Perceber é abstrair, uma vez que
representa casos individuais através de
configurações de categorias gerais. Então a abstração começa no nível mais elementar do conhecimento,
nomeadamente com a aquisição dos dados
sensoriais. A percepção e um ato criativo e uma atividade racional. A
percepção responde ao modelo informático
(momento intermediário entre o estimulo e a resposta).
A percepção é um processo de
extração de informação. A nossa percepção,
para além de reação a um estimulo, é uma visão
de conjunto organizada quase automaticamente para nos preparar para uma
resposta.
·
A
psicologia da percepção visual atua sobre o modo como organizamos e
interpretamos um conjunto de estímulos
visuais; a psicologia da sensação pretende compreender como os fenômenos
físicos do mundo exterior são traduzidos em
sensações;
·
A
psicologia da aprendizagem ambiciona demonstrar que a aquisição
(preliminar) de conhecimento, detém uma enorme importância no processo genérico
do funcionamento psíquico, na medida em que os seres são incapazes de
sobreviver sem aprender, e aquilo que aprendem conduz a determinados
desenvolvimentos ulteriores;
·
A
psicologia da motivação estuda os nossos impulsos básicos e fisiológicos,
qual o seu grau de interferência na mundividência humana e como estão
dependentes de fatores socioculturais.
A Psicologia é a ciência do comportamento, empenhada em estudar o espirito humano (a alma humana e
a alma da humanidade), estímulos observáveis num organismo, com suas
motivações, inclinações, ideias, sensações, ambições, sentimentos, estímulos e
reações, etc. Obtém conhecimento sobre os fenômenos dos estados conscientes e
inconscientes, bem como sobre as suas determinações ultimas. O psicólogo dispõe de varias metodologias
apropriadas à medição e ao conhecimento do comportamento dos organismos e tenta
descobrir as variáveis que condicionam
ou determinam ou modelos comportamentais (estimulo-resposta), modelo
informático do comportamento. O comportamento é influenciado pelo ambiente físico e social, também depende de fatores orgânicos, intrínsecos ao
sujeito, como a idade, a espécie, o sexo e, genericamente, o funcionamento
cerebral.
A psicologia da arte estuda (A Psicologia da percepção visual): A
percepção; a relação entre o estimulo visual e a resposta do sujeito; a
duplicidade do emissor e o receptor, entre objeto e o individuo; os modos como
lidamos com os signos e objetos, aliando a nossa capacidade fisiológica e
orgânica às variáveis que nos são externas; a anatomia das imagens feitas de
luz e de cor, de forma e conteúdo.
Psicologia da arte, teorias:
· - A psicanalise da arte,
· - Teorias da percepção visual
· - Psicologia da Gestalt
·
Abrange campos da filosofia como a
fenomenologia, o estruturalismo, semiótica, etc.
A Escola Gestalt (forma): sistema que teve origem na Alemanha por volta de
1912, procurou descobrir os princípios que regem a integração de vários estímulos numa percepção unificada. Conforme a psicologia da Gestalt, a função do
artista não é reproduzir o real, mas antes criar um sistema global de forma unificado, ou seja, uma boa Gestalt (ou boa forma).
·
A
uniformidade das partes é partes é um método, entre outros, de conseguir a
unidade.
·
A organização (agrupamento das partes de um todo, principio de proximidade, principio
de semelhança, principio da boa forma), a relevância (importante) e a
coerência (harmonia) perceptiva: Formas do nosso sistema de entender estruturas
complexas não trabalha os estímulos individualmente, mas abarca o conjunto de
uma forma organizada.
·
A percepção visual do espaço:
o O efeito figura-fundo, Percepção
de profundidade ou da distancia
relativa, tem a ver diretamente com a estrutura
dos nossos receptores visuais (tamanho
das imagens retiniana e com a acomodação à distancia dos alvos e
convergência quando próximos, o fenômeno da disparidade retiniana a fusão dos dois pontos de vista faz-se
interior do cérebro e obtemos uma sensação real de profundidade) mediante
variáveis de estimulo ambiental e orgânicas.
o
Estudo sobre a proporção e sobre as relações espaciais da perspectiva. Interposição dos objetos.
o
O efeito
luz-sombra. Outros mecanismos que estimulam a percepção da profundidade são
os gradientes de cor, de luz ou
claridade, de textura ou de aproximação. Um gradiente é uma proporção de
mudança – ou variável -, em qualquer dimensão.
·
A
constância perceptiva:
o
Constância
da grandeza é a capacidade de ver o objeto em distancias diferentes,
colhendo uma mesma informação quanto ao seu tamanho real.
o
Constância
da forma: capacidade de ver as formas do objeto, independente da distancia
ou do ângulo.
o
Constância
da luz e da cor: capacidade de ver a cor e a luz de um determinado objeto.
·
As
ilusões perceptivas (ilusões de ótica): Percepções que não se adequam à
realidade ou percepções discrepantes.
o
Sensibilidade
à profundidade
o
Percepção
do tamanho dos objetos e suas condicionantes
o
Percepção
da representação prospectiva
o
Movimento:
A dinâmica tem a ver com a estrutura interna das formas, devem parecer
animadas. O movimento ilusório das formas não é idêntico ao efeito dinâmico, se
olharmos rapidamente uma serie de instantâneos o variação do olho produz uma
animação que não se encontra nas obras de arte.
Aprendizagem perceptiva: Aprendemos a perceber, nossa memoria
transmuta as formas a representarem algo que nos seja familiar, se liga com a
experiência previa, tem a ver com a nossa motivação, somos motivados a ver: nos
vemos aquilo que queremos ver. O nosso processo perceptivo consciente é
articulado, tendemos a guiar a nossa percepção de superfície na direção de uma
boa Gestalt. No entanto, são muitos os elementos inarticulados das formas que à
primeira vista, não nos são acessíveis à consciência. Há uma conveniência
perceptiva à interferência na nossa tendência articuladora da mente.