sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Psicologia da Arte

O que é a Arte: Nunca ninguém conseguiu definir tecnicamente numa só expressão, o que é uma obra de arte. As obras perderiam o mistério e deixariam de inquietar o espirito humano.

As obras de arte são todos os objetos que provocam em nos algo de novo, de total, de magico: uma muito delicada sensação, ou um horror tremendo, ou paixão, ou vontade de tocar, ou repudio completo, ou então identidade, ou ternura, ou compaixão, ou que apetece contemplar até o ultimo dia, ou que apetece questionar até que fale... É tudo isso e muito mais. É a essência da realidade. Pode ser bela ou feia, apropriada, funcional ou disfuncional, mas tem que ser motivadora de estímulos, tem que comunicar, apesar de não ter de o fazer em exclusividade, é uma explosão do intelecto feita para e pelos homens, é alegoria e símbolo, é sedução, forma, função e conteúdo, é estática ou dinâmica, é instrumento ou fim...
AS FORMAS E OS SUJEITOS: O nosso relacionamento com o real – do qual fazemos integrante enquanto seres mundanos, naturais e corpóreos – estabelece-se partindo das experiências sensitivas. Nesta conjuntura, determina-se que as formas, com as quais possuímos uma relação promissora, são captadas pelos sentidos humanos e comprometidas depois com o raciocínio. A um estimulo segue-se, mais cedo ou mais tarde, uma resposta. A arte não se basta à contemplação da relações formais que ela mesma adianta, mas serve-se delas para estabelecer outras metas: o conteúdo. Não há conteúdo sem forma, mas também não pode haver forma sem conteúdo. A forma existe para dar corpo ao conteúdo e a arte é, também por isso, diferente da simples configuração. Quando o artista utiliza formas que nos são familiares, acabamos por não nos fixarmos imediatamente nelas e captamo-las apenas depois de nos demorarmos na observação. A boa forma é também a forma adequada à nossa compreensão. Trata-se da adequação do significante ao significado.
No cumprimento do nosso objetivo primordial, que é estudar a Psicologia da Arte, temos de compreender, em primeiro lugar, qual é a nossa relação psicológica com a realidade, com os ícones, com as formas ou com as configurações e, num sentido mais lato, com a Arte, carregada embora com atributos de subjetividade e simbolismo que complexificam as estruturas de entendimento.
A relação estabelecida entre a Psicologia e as formas passa por três áreas fundamentais do saber: A psicologia da motivação, a psicologia social e a psicologia da percepção visual. Como já foi visto, coexistimos com um mundo de formas que provocam em nós sensações, que nos motivam, que nos aclaram a mundividência, que nos ilustram a realidade. Por outro lado, também nós somos motivados a produzir outras imagens. Porque é que isso acontece? Que mecanismo há no Homem que o leva à criação? O que é a imaginação humana, a criatividade?
·         Os psicólogos da motivação interrogam-se sobre o modo como os artistas criaram a obra, o porque?
·         Os psicólogos sociais, no impacto das obras.
·         Os estudiosos da percepção, com o fenômeno genérico da visão, da informação e enformação, da relação entre o olhar e o espírito, com os problemas ligados à expressividade, à emoção, à aparência formal das obras e com as possibilidades de leitura dentro deste contexto delimitado, entre outros parâmetros.
A psicologia da percepção é uma metodologia interpretativa de analise e atua, grosso modo, como um inventario descritivo, cingindo-se ao que a obra de arte demonstra ao sentido da visão. O modo como lidamos com as figurações depende do nosso sistema de perceber, de sentir, de aprender e do grau de motivação empregue neste processo. São processos psicológicos fundamentais: perceber, sentir, aprender e a motivação, eles são interligados.
·         A sensação é o processo de sentir ao nível da consciência, experiência advinda dos sentidos – que toma lugar quando um estimulo excita um receptor. A psicologia sensorial estuda a capacidade do organismo para detectar fenómenos e de os distinguir. Sensibilidade é a capacidade de reação a um determinado estimulo. A psicologia sensorial examina todos os sentidos humanos, desde a visão, a audição, o olfato, o tacto e a degustação, ate a estimulação provocada pela dor, pela temperatura e equilíbrio.

A sensação aliada à psicologia da visão:

Visão: Disposição orgânica que implica um olhar. Só se vê aquilo que se olha, aquilo que possuímos no nosso campo de visão. Muitos teóricos e filósofos da arte respeitam os olhos como o órgão que lidava mais perto com o cérebro. Ver é uma capacidade de orientação pratica. Ver significa captar algumas características proeminentes dos objetos, ex: caricatura capta o essencial da expressão e desenha com traços largos.

·         A luz: os indivíduos veem com o cérebro e não com os olhos. Não há visão (ocular) na ausência de luz. A luz é um conjunto de vibrações eletromagnéticas, perceptíveis pela retina e que permitem distinguir as formas, cores, texturas dos objetos. A retina contem células (receptoras) conhecidas como bastonetes – mais sensíveis à luz e permitem-nos ver sob uma luz ténue e cones – menos sensíveis à luz, funcionam quando a luz é mais intensa. A visibilidade, tal como a acuidade visual – ou a capacidade de distinguir pormenores – dependem da parte da retina que se estimulou, do ângulo de incidência luminosa, bem como da capacidade de adaptação à escuridão e ainda da distancia do olho relativamente ao alvo.
·         A Cor: A capacidade de visão das cores, depende dos cones da retina. As cores produzem estados de alma específicos, alteram o nosso comportamento e transportam-nos de uma realidade para outra que se compõe ou decompõe. Os sentidos orgânicos descriminam estas conjunturas e esse serviço prestado pelos sentidos é fundamental para a sobrevivência, interligando-se com a experiência passada e, consequentemente, com a memoria dos sujeitos.

A percepção é, de uma maneira muito geral e sucinta, um modo como organizamos formas complexas de estimulação. A percepção é mero instrumento para o registro da cor, da forma, som, ec. Desde que seja considerada separadamente do organismo de que faz parte: são a forma, a cor, o tamanho, a densidade, a luz, etc. No seu contexto biológico adequado, a percepção surge como o meio com que o organismo retira informação sobre as forcas ambientais favoráveis, hostil, ou de outra relevância às quais ele tem de reagir.
Conceito perceptual ou perceptivo: relaciona-se com uma ideia que se estima ter sido formulada partindo de qualquer coisa. Não se trata de uma atividade impulsiva, mas consciente e que lega um resíduo intelectual nos sujeitos. Um conceito perceptual não é a realidade e é aplicável a um sem numero de situações, por ser geral, categórico e abstrato.
Categorias perceptuais: são categorias evocadas pela estrutura, ilustra a teorização quando vemos um rosto humano, produzimos antes de tudo uma matriz de qualidades gerais tais como a magreza do conjunto, a rigidez da sobrancelhas, e etc. As categorias perceptuais podem ser descritas como gerais e abstratas, porque não são limitadas a nenhum objeto, mas são reveladas e aplicadas em qualquer objeto que nelas encaixe. Ou seja, a forma, a cor, a textura, o peso, a proporção, o tamanho, a densidade, etc., são categorias absolutas.
Já o mais próximo que o percepto pode chegar, a partir do estimulo <<maça>> é representa-la através de uma matriz especifica de qualidades sensoriais gerais com a redondez, o sabor frutado, o ser verde, o ser pesado, etc... Neste sentido, os processos elementares da percepção, longe de serem macro registo passivo, são atos criativos de domínio de estruturas, ainda além de um mero agrupar e selecionar de partes. O que sucede na percepção é semelhante ao que sucede a um nível psicológico mais alto na chamada compreensão ou perspicácia. Perceber é abstrair, uma vez que representa casos individuais através de configurações de categorias gerais. Então a abstração começa no nível mais elementar do conhecimento, nomeadamente com a aquisição dos dados sensoriais. A percepção e um ato criativo e uma atividade racional. A percepção responde ao modelo informático (momento intermediário entre o estimulo e a resposta).
A percepção é um processo de extração de informação. A nossa percepção, para além de reação a um estimulo, é uma visão de conjunto organizada quase automaticamente para nos preparar para uma resposta.
·         A psicologia da percepção visual atua sobre o modo como organizamos e interpretamos um conjunto de estímulos visuais; a psicologia da sensação pretende compreender como os fenômenos físicos do mundo exterior são traduzidos em sensações;
·         A psicologia da aprendizagem ambiciona demonstrar que a aquisição (preliminar) de conhecimento, detém uma enorme importância no processo genérico do funcionamento psíquico, na medida em que os seres são incapazes de sobreviver sem aprender, e aquilo que aprendem conduz a determinados desenvolvimentos ulteriores;
·         A psicologia da motivação estuda os nossos impulsos básicos e fisiológicos, qual o seu grau de interferência na mundividência humana e como estão dependentes de fatores socioculturais.
A Psicologia é a ciência do comportamento, empenhada em estudar o espirito humano (a alma humana e a alma da humanidade), estímulos observáveis num organismo, com suas motivações, inclinações, ideias, sensações, ambições, sentimentos, estímulos e reações, etc. Obtém conhecimento sobre os fenômenos dos estados conscientes e inconscientes, bem como sobre as suas determinações ultimas.  O psicólogo dispõe de varias metodologias apropriadas à medição e ao conhecimento do comportamento dos organismos e tenta descobrir as variáveis que condicionam ou determinam ou modelos comportamentais (estimulo-resposta), modelo informático do comportamento. O comportamento é influenciado pelo ambiente físico e social, também depende de fatores orgânicos, intrínsecos ao sujeito, como a idade, a espécie, o sexo e, genericamente, o funcionamento cerebral.
A psicologia da arte estuda (A Psicologia da percepção visual): A percepção; a relação entre o estimulo visual e a resposta do sujeito; a duplicidade do emissor e o receptor, entre objeto e o individuo; os modos como lidamos com os signos e objetos, aliando a nossa capacidade fisiológica e orgânica às variáveis que nos são externas; a anatomia das imagens feitas de luz e de cor, de forma e conteúdo.
Psicologia da arte, teorias:
·         - A psicanalise da arte,
·         - Teorias da percepção visual
·         - Psicologia da Gestalt
·         Abrange campos da filosofia como a fenomenologia, o estruturalismo, semiótica, etc.
A Escola Gestalt (forma): sistema que teve origem na Alemanha por volta de 1912, procurou descobrir os princípios que regem a integração de vários estímulos numa percepção unificada. Conforme a psicologia da Gestalt, a função do artista não é reproduzir o real, mas antes criar um sistema global de forma unificado, ou seja, uma boa Gestalt (ou boa forma).
·         A uniformidade das partes é partes é um método, entre outros, de conseguir a unidade.
·         A organização (agrupamento das partes de um todo, principio de proximidade, principio de semelhança, principio da boa forma), a relevância (importante) e a coerência (harmonia) perceptiva: Formas do nosso sistema de entender estruturas complexas não trabalha os estímulos individualmente, mas abarca o conjunto de uma forma organizada.
·         A percepção visual do espaço:
o   O efeito figura-fundo, Percepção de profundidade ou da distancia relativa, tem a ver diretamente com a estrutura dos nossos receptores visuais (tamanho das imagens retiniana e com a acomodação à distancia dos alvos e convergência quando próximos, o fenômeno da disparidade retiniana a fusão dos dois pontos de vista faz-se interior do cérebro e obtemos uma sensação real de profundidade) mediante variáveis de estimulo ambiental e orgânicas.
o   Estudo sobre a proporção e sobre as relações espaciais da perspectiva. Interposição dos objetos.
o   O efeito luz-sombra. Outros mecanismos que estimulam a percepção da profundidade são os gradientes de cor, de luz ou claridade, de textura ou de aproximação. Um gradiente é uma proporção de mudança – ou variável -, em qualquer dimensão.
·         A constância perceptiva:
o   Constância da grandeza é a capacidade de ver o objeto em distancias diferentes, colhendo uma mesma informação quanto ao seu tamanho real.
o   Constância da forma: capacidade de ver as formas do objeto, independente da distancia ou do ângulo.
o   Constância da luz e da cor: capacidade de ver a cor e a luz de um determinado objeto.
·         As ilusões perceptivas (ilusões de ótica): Percepções que não se adequam à realidade ou percepções discrepantes.
o   Sensibilidade à profundidade
o   Percepção do tamanho dos objetos e suas condicionantes
o   Percepção da representação prospectiva
o   Movimento: A dinâmica tem a ver com a estrutura interna das formas, devem parecer animadas. O movimento ilusório das formas não é idêntico ao efeito dinâmico, se olharmos rapidamente uma serie de instantâneos o variação do olho produz uma animação que não se encontra nas obras de arte.


Aprendizagem perceptiva: Aprendemos a perceber, nossa memoria transmuta as formas a representarem algo que nos seja familiar, se liga com a experiência previa, tem a ver com a nossa motivação, somos motivados a ver: nos vemos aquilo que queremos ver. O nosso processo perceptivo consciente é articulado, tendemos a guiar a nossa percepção de superfície na direção de uma boa Gestalt. No entanto, são muitos os elementos inarticulados das formas que à primeira vista, não nos são acessíveis à consciência. Há uma conveniência perceptiva à interferência na nossa tendência articuladora da mente.


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