quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

História da Psicopatologia: breve resumo

1.   Definição e contexto da psicopatologia: área interdisciplinar do conhecimento que se interessa pelo estudo da natureza das desordens mentais (história, causas, etiologia).

2.  Breve História da Psicopatologia:

Animismo: crença de que todas as coisas possuem alma e que podem interferir nas almas humanas. A demologia da idade media (séc. XIII): época em que os doentes mentais considerados como bruxos/possuídos por demônios ou sob influência demoníaca (seres malignos) no comportamento humano provocando perturbações, atos estranhos, bizarros. Sendo os médicos (feiticeiros, xamanistas, bruxos, padres, entre outros) pessoas habilitadas para influencia naquelas forças invisíveis, por isso, até hoje é comum a pratica de exorcismo.

Para além das pragas, da fome, das pestes, a obsessão pelo demônio, na Europa, a partir do séc. XIII começou a não haver tolerância para os comportamentos fugindo à norma. No século XV Havia um manual para identificar os comportamentos desviantes, as pessoas eram torturadas até assumirem ser bruxos, assumiam para acabar com a tortura e morriam queimados em fogueiras. Outros eram cuidados em mosteiros e as intervenções, por meio de orações e porções, propagavam mais as doenças.

No séc. XVI instituições para tratar leprosos, misturavam perturbados e pedintes.
A perspectiva moral e de tratamento humanizado das pessoas asiladas foi induzida por Philipe Pinel (1745-1826) que achava que deveriam ser tratadas com carinho, respeito e gentileza, nas instituições dirigidas por ele, não tinham a prática de amarrar (para evitar surtos de violência auto ou heterodirigida) as pessoas, mas utilizavam drogas como álcool, ópio e a cannabis.

A somatogénese: Crença de que alguma coisa errada aconteceu no corpo (causas naturais, biologia do corpo), provocando perturbações do pensamento e comportamento.

Um teórico dessa abordagem (perspectiva somatogénica): Hipócrates separou as desordens mentais em três categorias: mania, melancolia e febre cerebral, concetualizado como algo de domínio medico, o tratamento não era mais de cunho religioso, por exemplo para a melancolia aconselhou tranquilidade, sobriedade, cuidados dietéticos e abstinência sexual. A fisiologia de Hipócrates era vista como o equilíbrio dos fluidos corporais: sangue, bílis preta, bílis amarela e fleuma. Portanto, as personalidades (humores) eram explicadas por meio da preponderância de um destes fluidos. O sangue causando temperamento instável e a bílis negra na irritabilidade e ansiedade.

Explicados no livro de BORTEGA (2002):
  • Sanguíneo (sangue): Face rosada, porte atlético, musculatura firme, expansivo, otimista, irritável, impulsivo, submetido aos instintos.
  • Fleumático (Fleuma ou linfa): Face pálida, formas arredondadas, olhar doce e vago, sonhador, pacífico, existência isenta de paixões.
  • Colérico (bílis amarela): Protuberâncias musculares evidentes, olhar ardente, ambicioso, dominador, tenaz, reações abruptas e explosivas.
  • Melancólico (bílis negra): Olhar triste e músculo pouco desenvolvidos, nervoso, excitável, tendência a pessimismo, rancor e solidão.

Em 1885 Krapelin, outro teórico desta perspectiva, postulou a síndrome como um conjunto de sintomas que se agrupam de forma regular. Sendo a causa física a única explicação de tais sintomas. Diferenciando as desordens mentais por causas biológicas diferentes para cada uma delas, estudou 2 grupos de doenças mentais:
  • A demência precoce (esquizofrenia) causada por um desequilíbrio químico.
  • A psicose maníaco-depressiva (desordem bipolar) causada por uma irregularidade metabólica.
A perspectiva sociogenética possui evidencias sobre mudanças neurológicas degenerativas capazes de provocar alterações no estado mental de pessoas afetadas. Infecções destruidora de certas áreas cerebrais, capazes de provocar alterações psicopatológicas. Essa visão dá origem ao modelo biomédico já que algumas psicopatologias possuem causa biológica, acreditam ser uma questão de tempo, encontrar a causa biológica de todos os transtornos mentais.
Portanto, a maior critica que pode ser levantada sobre a sociogénese: A explicação biológica para todos os transtornos mentais (generalização).
A sociogenese opunha-se a psicogênese, entretanto, no advento da medicina moderna elas foram unificadas.

A psicogênese é a crença na existência de alterações psicológicas dando origem as perturbações mentais. Neste contexto, teóricos:
Mesmer (postulou sobre um fluido ou corrente invisível que chamou de magnetismo animal responsável pelo equilíbrio entre a saúde e a doença, a terapêutica era por meio da provocação de crises, desmaios e convulsões, comprovou a possibilidade de manipulação da variável psicológica chamada sugestionibilidade).

Charcot (distinguiu a histeria da epilepsia através da hipnose).

Josef Breuer criou o método catártico, utilizando a hipnose, levando pacientes a reviverem acontecimentos catastróficos ou traumáticos.

Freud criou a psicanalise ciência própria sobre o psiquismo.

Síntese do pensamento contemporâneo sobre a psicopatologia: Apesar de a Psicopatologia ser o estudo cientifico das perturbações mentais, há evidencias que a formação teórica afeta o processo de diagnostico. Há diversas correntes na psicologia comportamentalistas, psicanalíticos, cognitivistas, humanistas, existencialistas, sistêmicos.... 


Como citar está matéria: 

PAICHECO, Cleonice. Historia da Psicopatologia: breve resumo. BloggerSpot. Data de publicação: 01 de Fevereiro de 2017. Disponível em: <http://psicologacleonicepaicheco.blogspot.com.br/2018/02/historia-da-psicopatologia-breve-resumo.html> Data de acesso: 


Referência Bibliográfica: 

Resumo do capitulo 1 e 2: PIRES, Carlos M. Lopes. Noções de Psicopatologia. Universidade Aberta. 2003. Lisboa. Portugal. Página 13-25

BOTEGA, Neury José. Porto Alegre: Artemed Editora Ltda, 2002, 478 páginas.

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