1. Definição
e contexto da psicopatologia: área interdisciplinar do conhecimento que se
interessa pelo estudo da natureza das desordens mentais (história, causas,
etiologia).
2. Breve
História da Psicopatologia:
Animismo: crença
de que todas as coisas possuem alma e que podem interferir nas almas humanas. A
demologia da idade media (séc. XIII): época em que os doentes mentais considerados
como bruxos/possuídos por demônios ou sob influência demoníaca (seres malignos)
no comportamento humano provocando perturbações, atos estranhos, bizarros.
Sendo os médicos (feiticeiros, xamanistas, bruxos, padres, entre outros)
pessoas habilitadas para influencia naquelas forças invisíveis, por isso, até
hoje é comum a pratica de exorcismo.
Para além das
pragas, da fome, das pestes, a obsessão pelo demônio, na Europa, a partir do séc.
XIII começou a não haver tolerância para os comportamentos fugindo à norma. No século
XV Havia um manual para identificar os comportamentos desviantes, as pessoas
eram torturadas até assumirem ser bruxos, assumiam para acabar com a tortura e
morriam queimados em fogueiras. Outros eram cuidados em mosteiros e as intervenções,
por meio de orações e porções, propagavam mais as doenças.
No séc. XVI instituições
para tratar leprosos, misturavam perturbados e pedintes.
A perspectiva
moral e de tratamento humanizado das pessoas asiladas foi induzida por Philipe
Pinel (1745-1826) que achava que deveriam ser tratadas com carinho, respeito e
gentileza, nas instituições dirigidas por ele, não tinham a prática de amarrar (para
evitar surtos de violência auto ou heterodirigida) as pessoas, mas utilizavam
drogas como álcool, ópio e a cannabis.
A somatogénese: Crença de que
alguma coisa errada aconteceu no corpo (causas naturais, biologia do corpo),
provocando perturbações do pensamento e comportamento.
Um teórico dessa abordagem (perspectiva somatogénica): Hipócrates
separou as desordens mentais em três categorias: mania, melancolia e febre
cerebral, concetualizado como algo de domínio medico, o tratamento não era mais
de cunho religioso, por exemplo para a melancolia aconselhou tranquilidade,
sobriedade, cuidados dietéticos e abstinência sexual. A fisiologia de Hipócrates
era vista como o equilíbrio dos fluidos corporais: sangue, bílis preta, bílis amarela
e fleuma. Portanto, as personalidades (humores) eram explicadas por meio da preponderância
de um destes fluidos. O sangue causando temperamento instável e a bílis negra
na irritabilidade e ansiedade.
Explicados no livro de BORTEGA (2002):
- Sanguíneo (sangue): Face rosada, porte atlético, musculatura firme, expansivo, otimista, irritável, impulsivo, submetido aos instintos.
- Fleumático (Fleuma ou linfa): Face pálida, formas arredondadas, olhar doce e vago, sonhador, pacífico, existência isenta de paixões.
- Colérico (bílis amarela): Protuberâncias musculares evidentes, olhar ardente, ambicioso, dominador, tenaz, reações abruptas e explosivas.
- Melancólico (bílis negra): Olhar triste e músculo pouco desenvolvidos, nervoso, excitável, tendência a pessimismo, rancor e solidão.
Em 1885 Krapelin, outro teórico desta perspectiva, postulou a síndrome
como um conjunto de sintomas que se agrupam de forma regular. Sendo a causa física
a única explicação de tais sintomas. Diferenciando as desordens mentais por
causas biológicas diferentes para cada uma delas, estudou 2 grupos de doenças mentais:
- A demência precoce (esquizofrenia) causada por um desequilíbrio químico.
- A psicose maníaco-depressiva (desordem bipolar) causada por uma irregularidade metabólica.
A perspectiva sociogenética possui evidencias sobre mudanças neurológicas degenerativas capazes de provocar
alterações no estado mental de pessoas afetadas. Infecções destruidora de
certas áreas cerebrais, capazes de provocar alterações psicopatológicas. Essa visão
dá origem ao modelo biomédico já que algumas psicopatologias possuem causa
biológica, acreditam ser uma questão de tempo, encontrar a causa biológica de
todos os transtornos mentais.
Portanto, a maior critica que
pode ser levantada sobre a sociogénese: A explicação biológica para todos os
transtornos mentais (generalização).
A sociogenese opunha-se a psicogênese,
entretanto, no advento da medicina moderna elas foram unificadas.
A psicogênese é a crença na existência
de alterações psicológicas dando origem as perturbações mentais. Neste
contexto, teóricos:
Mesmer (postulou sobre um fluido
ou corrente invisível que chamou de magnetismo animal responsável pelo equilíbrio
entre a saúde e a doença, a terapêutica era por meio da provocação de crises,
desmaios e convulsões, comprovou a possibilidade de manipulação da variável psicológica
chamada sugestionibilidade).
Charcot (distinguiu a histeria da
epilepsia através da hipnose).
Josef Breuer criou o método catártico,
utilizando a hipnose, levando pacientes a reviverem acontecimentos catastróficos
ou traumáticos.
Freud criou a psicanalise ciência
própria sobre o psiquismo.
Síntese do pensamento contemporâneo
sobre a psicopatologia: Apesar de a Psicopatologia ser o estudo cientifico das perturbações
mentais, há evidencias que a formação teórica afeta o processo de diagnostico. Há
diversas correntes na psicologia comportamentalistas, psicanalíticos,
cognitivistas, humanistas, existencialistas, sistêmicos....
Como citar está matéria:
PAICHECO, Cleonice. Historia da Psicopatologia: breve resumo. BloggerSpot. Data de publicação: 01 de Fevereiro de 2017. Disponível em: <http://psicologacleonicepaicheco.blogspot.com.br/2018/02/historia-da-psicopatologia-breve-resumo.html> Data de acesso:
Referência Bibliográfica:
Resumo do capitulo 1 e 2: PIRES, Carlos M. Lopes. Noções de Psicopatologia. Universidade Aberta. 2003. Lisboa. Portugal. Página 13-25
BOTEGA, Neury José. Porto Alegre: Artemed Editora Ltda, 2002, 478
páginas.
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