domingo, 27 de março de 2022

Períodos da História – algumas características e as influências sobre as ideias psicológicas (Idade Antiga e Idade Média)

 Para Shultz, a psicologia é uma antiga disciplina, e, ao mesmo tempo, uma das mais novas. Já no séc. V a.C. sábios gregos se questionavam sobre os mesmos problemas que, hoje, ocupam os psicólogos: percepção, aprendizagem, motivação etc. As indagações são as mesmas, mas agora os métodos diferem da intuição e especulação filosóficas. Isto porque há apenas cerca de 100 anos, em 1879, nascia a psicologia moderna, um campo de estudo próprio, essencialmente científico.

 O homem passa a se ocupar da História, quando encontra elementos da sua existência nas realizações de seus antepassados.


A pré–história data do surgimento da terra, cerca de 3,5 milhões de anos e vai até o aparecimento da escrita, por volta de 4.000 a.C. Os demais períodos históricos são as idades: antiga, média, moderna e contemporânea.


                                     Idade Antiga : inicia-se por volta de 4.000 a C. até a queda do 

                                                                   Império Romano do Ocidente em 476 d.C.


Era assim que se encontravam diversas sociedades no quarto milênio antes da Era Cristã: à beira das águas, cultivando a terra e criando cidades; organizando a política, a ciência, a arte e a filosofia. Diversos povos se desenvolveram na Idade Antiga, como os chineses, egípcios, hebreus, persas etc. Mas o nosso foco será nas civilizações clássicas-greco-romanas por serem o berço da Filosofia e Psicologia ocidentais.


Grécia , uma civilização que trouxe a implantação do debate, da democracia, também a expansão do comércio marítimo e produziu obras notáveis na arte, literatura e filosofia.

Sócrates: (469.-399 a.C.) filósofo ateniense, um dos mais importantes da tradição filosófica ocidental e um dos fundadores da atual filosofia ocidental. Por nunca ter deixado nada escrito, sua fonte de informação é Platão. Os diálogos de Platão retratam Sócrates como um professor que se recusa a ter discípulos, um homem piedoso, que se interessa pela beleza, mas não acreditava nos prazeres dos sentidos. Defendia a razão, como a principal característica humana, o que o sobrepõe à irracionalidade, ao mundo dos instintos. Interessado pela ética, epistemologia e pelas virtudes. Criou o método da maiêutica, o qual por meio de inúmeras indagações a um indivíduo podia-se alcançar um certo conhecimento. Foi condenado à morte por envenenamento por cicuta por, até o fim, não ter desistido da filosofia.

Platão: (427 - 347 a.C.) discípulo de Sócrates que definiu a cabeça como a morada da razão; onde também habita a alma humana ligada ao restante do corpo pela medula. Corpo e alma são concebidas como entidades separadas, sendo que a alma, não morre e pode vir a ocupar um outro corpo.

Aristóteles: (384.-322 a.C.) discípulo de Platão, defendia que alma e corpo são inseparáveis. A alma seria o princípio ativo da vida, a psychè, e tudo que cresce, se reproduz, se desenvolve a possui: vegetais, animais e o homem. 

Roma: expressão no direito e no governo universal. 

Uma pequena cidade que controlou todos os territórios da bacia mediterrânea. No topo de sua hierarquia social estavam os grandes proprietários rurais que monopolizavam o poder público; abaixo destes, os pequenos proprietários que eram ferreiros, carpinteiros, comerciantes. Os clientes, outra classe social, era composta por estrangeiros, plebeus empobrecidos que viviam agregados ao grande proprietário rural, em troca de pequenos serviços. 

O Estado fornecia “pão e circo”, ou seja, alimento e diversão à população marginalizada, aqueles que abandonavam o campo e iam para as cidades. Isto aumentava as despesas, fazia-se necessário novas conquistas, introduzindo-se mais e mais escravos em Roma, para substituir os que iam para as guerras.

Nos últimos anos do séc. V, o Império do Ocidente se fragmentava em reinos romano-bárbaros e o Império Romano do Oriente ou Império Bizantino (Síria, Palestina, ilhas como Chipre, Creta etc) também estava decadente. Em 603, Maomé uniu os povos árabes em torno das suas propostas religiosas, o Islamismo. A riqueza do comércio da capital Constantinopla atraiu concorrentes e invasores e este império caiu em 1453 nas mãos dos turcos.

Ideias: De nômades a sedentários por causa da evolução agrícola. Assim, novas formas de ocupação surgem: cerâmica, tecelagem, metalurgia, pastoreio.

Já existiam na Antiguidade especulações sobre os processos cerebrais, funções dos órgãos sensoriais e perturbações por lesões cerebrais. E ainda, a doutrina dos 4 temperamentos do médico Hipócrates, cerca de 400 anos A.C ou dos 4 humores do médico Galeno: sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático. 


Em um irresistível anseio pela arte, através da arquitetura, escultura, pintura, música, o homem dava forma visível ao que fluía do seu interior; a natureza ia desvendando os seus segredos. O intelecto ainda não havia se desenvolvido, assim o homem utilizava da saga e do mito para responder aos enigmas da sua existência.

Para alguns filósofos, a arte e a ciência tinham a mesma origem. Por ex., para Platão o movimento dos astros refletia no céu os movimentos da Inteligência Divina. Hoje, ciência e religião são considerados universos diferentes, a partir da evolução de sistemas de pensamento objetivos, do intelecto abstrato. No decorrer da história, foi se construindo um verdadeiro abismo entre arte e religiosidade por um lado e o conhecimento por outro.

          

Idade Média: do séc. V à tomada de Constantinopla, capital do 

Império Romano do Oriente, pelos turcos, em 1453.

  

Da divisão do Império Romano em diversos reinos.

Da produção escravista da Antiguidade greco-romana para o feudalismo. 

                     

Período iniciado pela desagregação da antiga ordem, pois com as invasões bárbaras e a expansão mulçumana, as cidades ficam despovoadas e perdem sua importância, desencadeando o processo de ruralização. Na sociedade feudal, as pessoas buscam proteção junto aos castelos. Sociedade esta aristocrática, autossuficiente na atividade agrícola, no artesanato caseiro, no comércio local a base de trocas.

A religião surge como elemento agregador, soberana e absoluta na vida espiritual, mas a partir do ano 800 passa a se tornar efetivamente política, controlando a educação, moral, justiça, artes e conhecimento. Os monges, os únicos letrados, fazem dos mosteiros instituições de ensino da fé católica e da salvação da alma.


Ideias: Santo Agostinho (354-430): seguiu a tradição platônica e defendia que a verdade é infundida no espírito humano por Deus. A retomada da filosofia de Platão fundamenta a necessidade de uma ética rigorosa de abdicação do mundo, do controle racional das paixões e da predileção pelo supra sensível. De interesse para as ideias psicológicas estão dois de seus métodos: o da auto-observação e o da descrição da experiência interior.

Os homens medievais não se esqueceram da sua origem greco-romana, mas sabiam que já eram “outros homens”. Queriam o poder, a ciência, a arte e a filosofia dos antigos, adaptados ao seu mundo. A fé para os escolásticos não vinha da razão, mas não era contrária a ela.


São Tomás de Aquino (1225-1274), o mais destacado dos escolásticos afirmava que Aristóteles estava certo, mas como não tinha o conhecimento de Deus, não pode aperfeiçoar seus pensamentos, o que só poderia ser proporcionado pela revelação divina. Seu projeto era, então, o de sintetizar o aristotelismo e a revelação do cristianismo: juntos, Deus e a inteligência, onde amar o intelecto era honrar a Deus. Para ele, a verdade revelada era de duas categorias: Uma podia ser provada, como por ex: A existência de Deus e a salvação da alma. Mas doutrinas como a da Trindade e da Encarnação eram verdades que não podiam ser provadas. 

A razão era o único guia para as questões não-teológicas, conhecimentos sobre o mundo natural das coisas e das criaturas, por ex. Eram conhecimentos não revelados por Deus e não necessários à salvação. Conhecimentos que os homens tinham a liberdade de explorar pela razão. Mas quanto mais aperfeiçoado raciocínio, mais eficiente e mais cristão se tornava. A razão não podia ser temida, pois era um outro caminho para Deus.

A imagem de “mundo fechado” tanto na antiguidade como na idade medieval, moldava a percepção do homem. Foi com o advento das ciências que descortinou-se um “universo infinito” de conhecimentos, um mundo novo não apenas geográfico, mas também simbólico. Assim, foram surgindo novas formas de compreensão do tempo, do espaço, do “outro”, no reconhecimento de si mesmo.


Renascimento - entre as idades média e moderna, sécs. XIV e XVI.


Principais características:

Redescoberta dos valores da cultura clássica (greco-romana) com uma visão mais completa e humana da natureza, onde as qualidades humanas como a inteligência, o conhecimento e o dom artístico passam a ser valorizadas;

Antropocentrismo – o homem como a medida de todas as coisas; 

A razão e a natureza são intensamente valorizadas, através da utilização de métodos experimentais e de observação da natureza e do universo;

Na Itália, berço do Renascimento, passou-se a acumular riquezas provenientes do comércio e ricos comerciantes, os mecenas, investiam no desenvolvimento artístico e cultural. 

O movimento se espalhou para outros países, como a Inglaterra, Espanha, Portugal, França e Países Baixos, como a Holanda..


A idade moderna inicia-se com a queda do império romano do Oriente e termina com a Revolução Francesa, em 1789.

A idade contemporânea começa no séc. XVIII até os nossos dias.


Consultas bibliográficas:

Bock , A M. Psicologias: uma introdução ao estudo da Psicologia

Miranda, R. G. O homem medieval e a Antiguidade. Folha de S. Paulo, 23/01/2001

Folhaonline www.folha.com.br

Google

Wikipédia

Scielo

www.historiadomundo.com.br

www.conhecimentosgerais.com.br/historia-geral

http://vestibular.escalaeducacional.com.br


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